Saiu na AU

Edifício Harmonia – Triptyque

Não é exatamente o que chamamos de belo, mas, apesar de não ter um discurso ecológico (segundo um dos integrantes da equipe), apresenta um repertório sustentável que pode e deve ser estudado, reavaliado e reestruturado para se adaptar a outros edifícios.




As paredes das fachadas laterais e posterior são duplas e recobertas por uma densa camada vegetal que, como uma pele, respira e cria matéria viva. Toda a vegetação é alimentada por uma rede vertical de delgados tubos metálicos que carrega água e adubo líquido e, na hora certa, libera o necessário ao crescimento das espécies cuidadosamente escolhidas por um especialista. Uma outra rede hidráulica transporta a água da chuva coletada na cobertura permeável até o sistema de tratamento e reutilização de água, também aparente, que por sua vez devolve água pura para a irrigação do edifício e consumo interno. É uma engrenagem perfeitamente ajustada, interconectada e cíclica, na qual tecnologia e sistemas ecológicos estão a serviço da arquitetura, e não o contrário.
O paisagismo, a insolação e o vento influenciaram na escolha básica das espécies que foram utilizadas nas paredes. A maioria das plantas do edifício é epífita, que costuma crescer em cima de pedras na Mata Atlântica, ou são oriundas da África ou Índia, onde as variações do tempo são similares às do Brasil. A massa utilizada para encravar as plantas é composta de cimento e sais minerais, propicia a retenção de umidade, além de ser isolante térmica e acústica. Já os tetos verdes são formados por uma camada de argila expandida, bidim (um geotêxtil), entulho limpo de metal, madeira, plástico e terra, e uma camada de terra. O gerenciamento é totalmente automatizado por um controlador eletrônico onde se programam o tempo e a freqüência de irrigação, além de dispor de um sensor de chuva regulado para desligar a programação de irrigação a partir de determinada faixa de precipitação."O resultado desse conjunto verde reduz os efeitos do calor excessivo, filtra a água, reduz o barulho dos helicópteros e embeleza o edifício com várias espécies de pássaros".





Os alagamentos periódicos que acontecem na região onde está implantado o edifício Harmonia resultaram no desejo de reduzir ao máximo a área impermeável do empreendimento. O projeto baseou-se no aproveitamento de 1,3 mil mm de chuva que cai por ano: 234 mil litros anuais de água de boa qualidade. O excedente de água dos telhados é coletado e direcionado para armazenamento em três reservatórios no térreo, que têm um volume que evita o escoamento para a rua mesmo nos períodos de chuva intensa. Ao final do terceiro reservatório, a água segue para um reservatório maior, onde é periodicamente recirculada pelo sistema de ozônio, e então bombeada para caixas elevadas, de onde segue para o abastecimento de vasos sanitários, irrigação e limpeza externa. Já a água infiltrada nos canteiros do andar térreo é direcionada para uma lenta infiltração no subsolo local, o que ajuda a manter alto o nível do lençol freático. "É importante não só pensar em reutilizar a água mas em restabelecer o ciclo hidrológico local, ou seja, infiltrar ao menos parte da água ao lençol freático".




O telhado verde, além de gerar ar fresco e umidade para a atmosfera, proporciona boas condições térmicas no interior do edifício, o que reduz a necessidade de aparelhos de ar-condicionado, além de reter boa parte da água de chuva que cai sobre o telhado e reduzir a colaboração para as cheias urbanas.

1 comentários:

Ana Arcanjo disse...

Poxa, muito interessante...
Mas o que eu, reles mortal que nao entende nada de arquitetura, me pergunto, é como é que ficam as paredes internas do edifício.
Como garantir que as epífitas não comprometam a estrutura do prédio? Afinal, uma epífita normalmente emite raízes que invadem seu hospedeiro, retidando deste alguns mineirais e outras substâncias que não conseguem do ar ou água. Além do mais, será que não seria necessário um impermeabilizante muito potente pra não infiltrar e comprometer as paredes e o teto?